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Cora Coralina

Não sei
Não sei... se a vida é curta ou longa demais para nós,
mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso nã é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais,
mas que seja intensa, verdadeira, pura... "enquanto durar".
Cora Coralina















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sábado, 28 de abril de 2012

Sugestão de aula 6º ano Ensino Fundamental na Disciplina de História Primeiro institua 15 minutos de Mitologia por aula. Reúna os seus alunos numa roda no pátio ou na sala e conte um mito. Você pode começar pelo mito do Minotauro, que retrata a origem do mar Egeu e se relaciona com a própria origem da Grécia. Quando acabar, peça aos seus alunos que recontem o mito, oralmente. Depois, é o momento de perguntar se ele foi contado de maneira idêntica à primeira narração (feita por você). Ao perceber que houve algumas diferenças no recontar, temos a brecha para discutir a construção da memória, que pressupõe seleção, idealização e a própria História enquanto representação. A experiência pode ser repetida durante todo o período em que está sendo discutido o tema Grécia Antiga. Sugerimos, como segundo mito a ser contado, o Mito de Perseu, que se tornou o rei de Micenas, importante cidade-estado da Grécia Antiga. Desta vez, além da experiência do recontar, a atividade pode incluir o registro escrito da versão dos alunos, que pode acontecer na forma de uma narrativa convencional ou em outros formatos sugeridos por eles, como história em quadrinhos. No caso do público ser de 6º ano isso significa um espaço lúdico muito estimulante, além de proporcionar a concretização da História através dos desenhos. Na segunda parte, vamos propor uma atividade em torno da Odisséia, de Homero. Texto para estudo e reflexão para o desenvolvimento da aula. O que é Mitologia? Os mitos fazem parte da tradição oral de um povo, ou seja, são narrativas que usam a palavra falada para transmitir e comunicar o modo de pensar desse grupo, preservando a memória e garantindo a continuidade de sua cultura. As narrativas são passadas de geração a geração pelos contadores de histórias, principalmente os anciãos e poetas. Uma mesma história mítica pode surgir em diferentes versões, porque com o passar do tempo o mito é permanentemente recriado. Alguns dos mitos gregos referem-se aos contatos e encontros amorosos entre os deuses e os seres humanos, dos quais nasciam os heróis. Um exemplo clássico é a História de Hércules (nome dado pelos romanos ao herói de força descomunal que em grego se chamava Héracles). A importância da tradição oral para a civilização grega Devemos historicizar a disseminação da tradição oral entre os gregos. Essa questão é o cerne da reflexão que vamos propor na atividade em torno da Odisseia, de Homero. "Historicizar" a tradição oral não significa localizar o aparecimento da escrita como um marco mais evoluído do ponto de vista linear. É bom lembrar, também, que o processo histórico não produz apenas mudanças, ele é constituído também de permanências. Para compreendermos o lugar da tradição oral na cultura grega é preciso retomar o momento da entrada dos Dórios na Península Balcânica. Este povo indo-europeu foi responsável pela destruição da civilização Micênica e pela ocupação de Esparta na região do Peloponeso. Nesse contexto, a escrita caiu em desuso e houve uma significativa redução da vida urbana e do comércio. Muitos Aqueus fugiram para as ilhas do Mar Egeu e para as costas da Ásia Menor, onde fundaram várias cidades. Após as invasões dóricas, o conhecimento sobre a civilização Micênica passou a ser transmitido apenas por tradição oral pelos Aedos (cantores e poetas inspirados pela musa, que os impelia a cantar a glória dos homens). Estes percorriam a Grécia narrando fatos e histórias da época Micênica. Os aedos recorriam às repetições, que facilitavam o processo de memorização. Destituída do suporte da escrita, a memorização estava reduzida à simples transmissão oral. É preciso atenuar as conquistas da escrita nas províncias do mundo grego. Devido à relativa raridade do objeto livro e ao pequeno número de letrados, os livros eram mais escutados do que lidos. Os filósofos, os médicos, os historiadores, todos se dedicavam a recitações públicas. O livro era escrito no interior de um amplo sistema cultural, cuja transmissão continuava a se fazer de forma oral e auditiva. A cultura tradicional nunca precisara da escrita para se fazer ou se dizer, pois se encontrava na memória comum a toda comunidade, seus princípios de organização e suas modalidades de aprendizagem. Provavelmente, certas sociedades, mais do que outras, preocupam-se em colocar em ação meios não escritos de fixar sua tradição, seja confiando-a parcialmente aos profissionais da memória - virtuoses dos procedimentos mnemotécnicos - seja assegurando, por meio dos rituais, uma repetição regular, senão imutável, das palavras, das narrativas ou dos cantos litúrgicos. Essa necessidade de sempre redizer e repetir é que confere à oralidade o seu modo próprio de criação. A produção oral, por sua vez, se não for recebida imediatamente, captada por ouvidos atentos e salva do silêncio que a espreita desde o primeiro momento, acaba condenada ao esquecimento, destinada ao desaparecimento imediato, como se nunca tivesse sido pronunciada. Para poder penetrar e tomar seu lugar na tradição oral, uma narrativa, uma história ou qualquer obra falada deve ser entendida, isto é, deve ser aceita pela comunidade. Um pouco da História dos deuses Vamos tentar localizar a mitologia no interior da sociedade grega, ou seja, compreender o que ela representa para os gregos. Os gregos eram politeístas: acreditavam em diversos deuses. Os deuses tinham uma importância central na sua história, eram vistos como senhores da terra e do céu, habitantes do Monte Olimpio. Os deuses eram todos antropomorfos: tinham forma, sentimentos, virtudes e fraquezas humanas. Além da crença nos deuses, as almas dos antepassados também eram cultuadas pelas famílias, através de uma série de rituais que ficavam a cargo das mulheres. Zeus, o chefe supremo da família dos deuses, casou-se com Hera. Desse casamento nasceram novos deuses, cada qual personificando um elemento ou um fenômeno da natureza: Hermes era a chuva e também o mensageiro dos deuses; Apolo, um jovem muito belo, personificava o sol; Artêmisera a deusa da lua, representada como caçadora; Deméterera a terra fértil, que produzia as colheitas e alimentava os homens; Perséfone era a semente; Dionísio o deus das vinhas. A todos esses deuses ofereciam-se sacrifícios de animais, cerimônias, festas e jogos. Os jogos mais famosos da Grécia, as Olimpíadas, realizavam-se de quatro em quatro anos na cidade de Olímpia, em homenagem a Zeus. Ali, atletas de todas as cidades gregas participavam de várias competições: salto, corrida, luta, arremesso de dardo e de disco. O atleta vencedor, quando voltava à sua cidade, recebia honras de herói, ficava livre do pagamento de impostos e tinha um lugar especial nas festas públicas. Todos os atletas competiam completamente nus. O espetáculo dos jovens se movimentando era apreciado pela beleza. Entretanto, as mulheres não participavam dos jogos olímpicos. Estes eram tão importantes para os gregos que durante sua ocorrência as guerras deixavam de acontecer. Os gregos também contavam o tempo pela Olimpíada. A primeira Olimpíada ocorreu em 776 a.C., data considerada o ano 1 da Grécia Antiga. Quem já teve a experiência de trabalhar História Antiga em sala-de-aula, certamente constatou uma dificuldade: a distância temporal e espacial dessa temática em relação aos nossos alunos do ensino fundamental, especialmente na 5ª série, que é o momento de aplicação desse conteúdo. Esta oficina visa encurtar a distância e o estranhamento, despertar o interesse dos alunos e tornar possível o entendimento de alguns conceitos inerentes ao tema. Para isso propõe concretizar ao máximo o conteúdo, através de atividades que busquem naturalizá-lo, trazendo para a experiência do aluno o universo mental e cultural dos gregos antigos. O poder de sedução da mitologia grega encontra grande repercussão entre crianças e jovens, falando diretamente ao seu gosto pelo lúdico e pela criatividade. O enfoque na narrativa oral auxiliará esta identificação, propiciando, ao mesmo tempo, a compreensão sobre a importância da palavra falada para a construção da história e da cultura nas civilizações antigas. Os gregos e os deuses As cidades-estado gregas A Grécia Antiga, chamada de Hélade pelos gregos, se localizava no sul da Península Balcânica, ocupando as ilhas do Mar Egeu e Jônio e o litoral da Ásia Menor. Esta civilização estava dividida em cidades-estado com certo grau de independência política. Apesar da fragmentação política do mundo grego, as várias cidades-estado reconheciam-se como partes de uma mesma unidade cultural, com língua, costumes e valores comuns. Essa comunidade cultural formava uma civilização, ao qual se contrapunha o mundo "bárbaro". Em toda cidade-estado grega havia espaços comuns a todos os grupos sociais e outros reservados aos grupos que eram, de alguma forma, diferenciados. Todas as pessoas frequentavam o mercado e o teatro. Já a assembléia era reservada apenas aos que eram cidadãos, ou seja, homens livres descendentes de pessoas nascidas na cidade. O conselho e os tribunais eram reservados aos eleitos para suas funções, embora todo cidadão pudesse sê-lo. O estádio era frequentado por homens adultos e jovens com mais de 12 anos que tivessem tempo livre para praticar esportes. Todos esses lugares ficavam na parte baixa da cidade, a agora. No interior dos templos não eram admitidos fiéis. Eles deviam ficar do lado de fora, onde eram feitos os sacrifícios, e só através da porta de entrada podiam entrever a estátua do deus. Apenas os sacerdotes e os funcionários ocupavam o espaço do interior dos templos, que, em sua grande maioria, se localizavam na acrópole, local mais alto onde, nos períodos Micênico e Homérico, se situavam também os palácios dos reis e residia a comunidade. Com o crescimento da população, as regiões mais baixas foram sendo ocupadas e a acrópole ficou reservada às funções religiosas.

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